Opinião Pública

Nos meus anos como presidente internacional de Pueri Cantores tive o gozo de ouvir coros de alta qualidade. Guardo no meu coração, como uma bênção de Deus, a interpretação da Schola Cantorum acompanhada pelo motivante som do órgão histórico da Catedral de Santarém. Do meu coração saiu uma sincera oração: "Que sejam muitos os corações atraídos para Ti, que és a Beleza; vibrem com a voz e o órgão que são caminho de bondade. Bendizei os que promovem a voz e a sonora harmonia em Santarém".
 
Josep María Torrents
Presidente Honorário da Fœderatio Internationalis Pueri Cantores
Ex-Presidente da Fœderatio Internationalis Pueri Cantores

A reabilitação dos ÓHS, importante conjunto patrimonial histórico, artístico e cultural da cidade, resgatou para os dias de hoje o som das Catedrais. A audição de qualquer um destes instrumentos quer em celebração litúrgica, ou em concerto, constitui um momento único de contemplação e fruição estética. Este belíssimo conjunto de instrumentos tem como princípio de conservação a realização de uma regular actividade musical. Um projecto de Gestão dos ÓHS pode e tem vindo a viabilizar um programa cultural e educativo de qualidade e tem vindo a rentabilizar sinergias em torno deste acervo. O património é a nossa memória e através dele passamos valores e construímos identidades enquanto comunidade e povo. Os ÓHS podem vincular esses valores para a cidade e para todos os que nos reconhecemos neles.
 
Maria da Conceição Correia
Directora do Museu da Música Portuguesa

O meu primeiro conhecimento do órgão português deu-se em 2010, na Igreja da Misericórdia em Santarém: foi o início duma descoberta dum património importante e valioso. Em 2013, organizei uma viagem de estudo a Portugal com a minha classe de Órgão: os alunos tiveram a oportunidade para experimentar cinco dos órgãos históricos de Santarém (em cooperação com a Gestão dos ÓHS), uma experiência marcante a não esquecer. Neste contexto, com um acervo excepcional de oito órgãos históricos, uma iniciativa que elabora projectos para vitalizar este património não é somente uma mais-valia; é mesmo indispensável para a cultura do órgão e da sua música. Desejo que o projecto ÓHS possa continuar a enriquecer a vida cultural na região de Santarém.

Wannes Vanderhoeven
Organista Titular da Igreja de Nossa Senhora, Malinas (Bélgica)
Professor de História de Música, Órgão, e Prática do Acompanhamento no Conservatório Municipal de Malinas
Professor convidado do Conservatório de Antuérpia


É uma enorme alegria para o Lar de Santo António da Cidade de Santarém poder integrar as suas jovens no Projeto Gestão dos Órgãos Históricos de Santarém, que, pela juventude e dinamismo de quem o promove e dos artistas que participam, é, sem dúvida, um sinal de esperança duma comunidade que desperta e se renova.

Participar nos concertos é experiência memorável, que alia o prazer da música ao conhecimento do trabalho de reabilitação do património da cidade e que merece ser divulgada.

Emília Rufino
Presidente da Direcção do Lar de Santo António (Santarém)


Ao tocar num concerto em Santarém no dia 10 de Dezembro de 2011, tive a oportunidade de experienciar a situação em Santarém no relacionado com órgãos e organistas. Estava tão contente por fazer este concerto e por viver a atmosfera artística e cultural naquela bela cidade. Em particular, fiquei impressionado com o grande valor daqueles órgãos históricos, cuja utilização necessita especiais conhecimentos e capacidades. Conheci o brilhante organista David Paccetti Correia, cujas qualidade como músico muito aprecio. Ele é um dos meus colegas, a nível internacional, que conhece como utilizar órgãos históricos e é particularmente familiarizado com a música que foi composta para estes instrumentos [de Santarém]. […] Ele seria capaz de ensinar alunos como utilizar e estimar estes preciosos instrumentos e tem uma personalidade capaz de motivar e convencer.
 
Gustav Auzinger
Organista titular dos órgãos históricos da Igreja de Santa Anna, em Steinbruch, e do Castelo de Neuhaus (Áustria)

A recente recuperação deste património foi uma grande dádiva para a cidade de Santarém e deve orgulhar todos os scalabitanos, que têm o dever, cívico e moral, de agora preservá-lo, estimá-lo, acarinhá-lo e dinamizá-lo. Neste sentido, o projecto de Gestão dos Órgãos Históricos de Santarém é de extrema importância e utilidade, dado que é necessário haver um elemento catalisador, que coordene e regule a utilização correta deste acervo, e ao mesmo tempo promova a sua divulgação e notoriedade.

Para mim, enquanto cristão, paroquiano do Divino Salvador e apreciador de música litúrgica, é um grande orgulho poder usufruir de tão belo património regularmente e, pontualmente, ter a oportunidade de assistir a momentos em que estes belos instrumentos ecoam em todo o seu esplendor. Todavia, dar a conhecer ao maior número de pessoas esta beleza que toca o coração de crentes e não crentes, é fundamental. Por isso, é necessário criar laços e relações estreitas com instituições (escolas, clubes, associações, etc.), promovendo atividades, parcerias e pequenos eventos, que são uma grande mais valia para ambas as partes, que se enriquecem mutuamente.

Enquanto professor de Educação Física e presidente do Clube Desportivo Escola D. João II, posso testemunhar o interesse e importância que a atividade “Peddy Papper pelos Órgãos Históricos de Santarém” teve para um conjunto de 50 crianças participantes num campo de férias, que contactaram pela primeira vez com este tipo de atividade cultural. É, sem dúvida, algo fundamental para a sua formação integral e também muito importante para o próprio património que, sendo conhecido, mais facilmente poderá ser amado e estimado.

Luís Silva
Professor de Educação Física
Presidente do Clube Desportivo Escola D. João II
Paroquiano do Divino Salvador


Por ter crescido em Santarém e ser organista, sigo com especial interesse o trabalho que tem sido realizado no campo organístico em Santarém nos últimos anos.  Depois do restauro de seis e mais recentemente o sétimo Órgão histórico, é imperativo, vindo de uma vida organística e cultural bastante dispersa no passado até às várias iniciativas que a Gestão dos Orgãos Históricos de Santarém leva a cabo hoje em dia, o vasto trabalho desenvolvido pelo gestor David Paccetti Correia.  A sensibilização da população, em particular dos mais novos, para a temática do Órgão levada a cabo pela OHS, é bastante importante no sentido de ter cada vez mais gente interessada em dar vida a este património que faz indubitavelmente parte da história de Santarém.
 
Daniel Nunes
Organista
Aluno de Órgão do Conservatório de Amsterdão

Foi com reconfortante alegria, entusiasmo e esperança que, há quase uma década, acolhemos a notícia do restauro dos órgãos históricos da cidade de Santarém, fruto da vontade de algumas pessoas e concretizada na comunhão de responsabilidades das entidades envolvidas. Para além do património artístico, este laborioso projecto significou e significa uma valorização da prática instrumental nas ações litúrgicas das diferentes igrejas, com a possibilidade real de um acompanhamento do canto litúrgico, tão enaltecido pela tradição da Igreja. Esta mudança, por outro lado, foi um sinal claro da renovação da vida da Igreja particular: tal como a presença muda dos órgãos, mais ou menos belos na sua aparência artística, não inundam de beleza polifónica os louvores a Deus, também a presença, mais ou menos assídua, dos fiéis não significa por si só uma comunidade animada. Aqueles, nas suas diferentes composições mecânicas, necessitam de uma boa e eficiente circulação do ar; estes últimos duma abertura ao Espírito Santo para testemunharem e celebrarem, na sua diversidade de dons pessoais, a Bondade e a Beleza divinas. Estamos gratos, portanto, aos que possibilitaram o restauro e renovação destes sete excelsos instrumentos.
 
Eis a oportunidade para, finalmente, estudar órgão com um mestre com conhecimento, experiência, arte e fé. Refiro-me ao professor David Paccetti, organista e gestor dos órgãos históricos de Santarém. Pessoalmente, posso dizer que tem sido um tempo de grande e útil aprendizagem neste ministério litúrgico como organista. As aprendizagens vão para lá da técnica, estendendo-se à partilha e sempre com a  preocupação essencial: que tudo seja para glória de Deus na comunhão de vida cristã.
 
Ao longo do ano, tive a possibilidade de conhecer melhor o dinamismo do projecto de gestão dos órgãos históricos, quer pelos alunos e parceiros envolvidos, quer pela grandeza e dignidade das várias iniciativas afectas ao mesmo projecto, em que destaco recitais e ciclos de órgão, estágio de órgãos, peddy-paper para conhecimento destes instrumentos e direccionado para alunos do ensino básico, gravação de CD e missas com órgão, nas quais tive o gosto e honra de participar.
 
Da aprendizagem nasce o testemunho pessoal de que, sem este projecto, correr-se-ia o risco imprudente de silenciar os órgãos e, a curto prazo, entrarem novamente em degradação e todos os esforços humanos e monetários serem inúteis. Perderíamos também a possibilidade do usufruto de momentos artísticos de elevado enriquecimento espiritual e cultural. Outro ponto de vista poder-nos-á ajudar a ver melhor o impacto deste projecto na vida cristã pessoal e comunitária. Aquele que nos diz que a educação da fé também inclui a educação do que permite uma melhor celebração da fé, não como ato egocêntrico, mas comunitário. Preparar cantores, leitores, instrumentistas para as acções litúrgicas também são momentos de evangelização e, como tal, preocupação recorrente dos responsáveis pela liturgia, seja da Igreja Universal, seja das Igrejas Particulares. Porque me foi dada esta possibilidade, partilho convosco a certeza dos benefícios colhidos e postos ao serviço da comunidade paroquial que integro.
 
António Cordeiro
Professor de Educação Religiosa e Moral
Aluno do Curso Livre de Órgão da Schola Cantorum da Catedral de Santarém

Não haverá muito melhor programa do que andar de Igreja em Igreja, todas elas próximas umas das outras, por percursos pedonais, refugiarmo-nos no seu fresco, quando em dias de grande calor, característicos da Cidade no verão, ou de inverno, quando nas mesmas nos sentimos resguardados da chuva e do vento, ou nas nossas festas tradicionais, de que toda a gente gosta, e ouvirmos o esplendoroso som dos seus órgãos. Se, como tem acontecido, tivermos comentários introdutórios sobre os órgãos, sobre os timbres dos registos (o Clarim, a Trombeta e toda uma miríade de instrumentos dentro de um só instrumento), então pode-se dizer que se faz deste percurso tempo muito bem passado. A gestão deste património é imprescindível para que ele permaneça vivo na vida da cidade.

Sérgio Marecos Pedro
Solicitador
Elemento do público dos ÓHS